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26 abril 2014

Relação Entre Falta de Vitamina D e Doenças



Saúde ensolarada

EntrevistaEntrevista

A vitamina D é crucial para nossa saúde. Um estudo recente divulgado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, feito por cientistas que avaliam o genoma humano, revelou que nosso corpo tem 229 genes influenciados por ela. Isso significa que vários órgãos podem ser beneficiados, e sua ação vai muito além da proteção dos ossos. Segundo a médica Sueli Lourenço, formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), a vitamina D é, na realidade, um pré-hormônio e não apenas uma vitamina. Integrante do Instituto de Investigação e Tratamento da Autoimunidade, grupo que atua no tratamento de doenças autoimunitárias utilizando altas doses de vitamina D, Sueli alerta para uma pandemia de deficiência de vitamina D que estaria em curso por estarmos nos distanciando de um dos maiores aliados da nossa saúde: o sol.
One Health Mag | A Vitamina D é mesmo uma vitamina? Qual sua real função no nosso organismo?

Sueli Lourenço | Quando descoberta, no início do século 20, ela foi considerada uma vitamina, pois supunha-se que não era produzida no organismo. Posteriormente, com os avanços das pesquisas acerca dessa substância, chegou-se à conclusão que não se trata propriamente de uma vitamina, já que ela é produzida na nossa pele por meio da exposição solar. A vitamina D é na verdade uma substância hormonal que, além de estar relacionada ao fortalecimento dos ossos, desempenha um papel central no metabolismo, funções musculares, imunológicas e neurológicas. Ela controla aproximadamente 10% das funções do nosso organismo, que corresponde a 10% da totalidade do genoma, da carga genética humana.
One Health Mag | Quais seriam os níveis ideais de Vitamina D?

Sueli Lourenço | Os valores circulantes de referência para a vitamina D (medida sob a forma de 25(OH)D3 são de 30-100 ng/ml para a grande maioria dos laboratórios clínicos. Pesquisas mais recentes tem apontado como ideais níveis que variam entre 40 e 100 ng/ml de 25(OH)D3 para uma pessoa normal, que estariam associados a não deficiência de vitamina D e colaborariam para a prevenção de uma série de doenças e problemas de saúde.
One Health Mag | Segundo as pesquisas mais recentes, a população em geral está apresentando níveis adequados de vitamina D?
Sueli Lourenço | O que ocorre é exatamente o oposto disso. Podemos considerar que vivemos uma época de pandemia de insuficiência ou deficiência de vitamina D. Tal situação se deve à drástica redução da exposição das pessoas à luz do sol, cujos raios ultravioleta, ao incidirem na pele, promovem a síntese desse hormônio. Pessoas trabalhando o dia todo em ambientes confinados, crianças brincando dentro de casa, e tantas outras ocorrências do cotidiano moderno, incluindo a cultura do uso indiscriminado do protetor solar, são alguns dos fatores que impossibilitam nosso contato com a luz solar e, seguramente, são responsáveis por essa pandemia.
One Health Mag | Quem precisa fazer reposição? É possível fazê-la por meio de dieta?

Sueli Lourenço | O sol é tão vital para nossa saúde e bem-estar quanto os alimentos, a água e o oxigênio, e a melhor maneira de assegurar níveis saudáveis de Vitamina D é com a exposição moderada ao sol, três vezes por semana. Do ponto de vista alimentar, é praticamente impossível substituir a exposição solar. Para se ter uma ideia, com cerca de 15 minutos de sol, pessoas de pele clara podem produzir de 10 a 20.000 UI (Unidades Internacionais) de vitamina D. Tal indivíduo teria de ingerir cem copos de leite para inteirar a mesma quantidade de vitamina D.
One Health Mag | A exposição solar deve ser igual para todos?

Sueli Lourenço | A maior parte dos seres humanos obtém o suprimento de vitamina D a partir da luz do sol entre as dez e as 15 horas, e principalmente no final da primavera, durante o verão e no início do outono. Como a vitamina D é solúvel em gordura, ela é armazenada na gordura do corpo e liberada durante o inverno, permitindo níveis adequados durante o ano todo. Para que isso funcione, é necessária a exposição ao sol por apenas 15 minutos, três vezes por semana. Há alguns fatores que reduzem a síntese de vitamina D, como a estação do ano, a latitude (quanto mais distante estivermos da linha do Equador menor a exposição solar e, portanto, menor a síntese de vitamina D) e a cor da pele (quanto mais escura for a cor da pele, mais difícil se torna a produção de vitamina D, pois a melanina, que é o pigmento que colore a pele, dificulta sua síntese).
One Health Mag | Existe relação entre algumas doenças e a deficiência de vitamina D? Qual seria?
Sueli Lourenço | Atualmente é muito grande o número de pesquisas que relacionam níveis baixos de vitamina D com o favorecimento da ocorrência de doenças. Podemos citar: hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares (infarto, angina, AVC), bem como transtornos psiquiátricos, como a esquizofrenia, e o mais importante e frequente no mundo moderno, a depressão. Gestantes com baixo nível de vitamina D têm mais chances de ter abortos no primeiro trimestre da gestação, assim como pré-eclâmpsia e eclâmpsia no final da gravidez. Todas as doenças autoimunitárias (diabetes infanto-juvenil, artrite reumatóide, lúpus, miastenia gravis, esclerose múltipla, psoríase, vitiligo, doenças autoimunes oftalmológicas como uveítes e neurites ópticas, entre outras) também estão relacionadas com insuficiência ou deficiência de Vitamina D.
One Health Mag | A Vitamina D também pode ser utilizada no tratamento de doenças?

Sueli Lourenço | Temos trabalhado muito com pacientes portadores de doenças autoimunitárias, em especial com portadores de esclerose múltipla, tratando-os com altas doses de vitamina D, com resultados nunca antes vistos na prática médica. Este é um trabalho pioneiro que foi iniciado há cerca de dez anos e é liderado pelo Dr. Cícero Galli Coimbra, professor de Neurologia da UNIFESP.
Assista ao vídeo em que Ieda Queirós, que sofre da doença de Devic, conta como funciona seu tratamento baseado em Vitamina D:
por Daniel Cunha | foto Gustavo Epifanio

Fonte:  http://www.onehealthmag.com.br/index.php/saude-ensolarada/

17 junho 2011

-> Doenças auto-imunes



Os Caminhos para a Recuperação de Doenças Auto-Imunes

por Vera Bassoi - verabassoi@gmail.com

 

- Parte 1 

Estou escrevendo este artigo atendendo aos vários apelos vindos daqueles que leram os dois artigos anteriores, cujo título é “Doença Auto-Imune. O que é isso?” (Parte 1 e Parte 2). Recebi inúmeros pedidos de socorro e, portanto, sinto-me na obrigação de contribuir mostrando a luz no fundo do túnel.

Aos leitores que ainda não tiveram a oportunidade de ler os artigos citados, sugiro que, antes, tomem conhecimento daqueles para que possam assimilar melhor o conteúdo deste. Então, vamos lá...

Os mesmos caminhos usados pelos sentimentos (emoções) para se expressarem, e que podem conduzir ao aparecimento de doenças auto-imunes, podem e devem também ser usados para restabelecer a saúde. No quadro abaixo, vemos como a mente e o corpo podem interagir para criar saúde. Temos uma explicação que começa no domínio psicológico:



1. A Intervenção ou Ajuda Psicológica
O primeiro passo para a cura será tomar consciência do que pode estar nos afetando. A maioria de nós não sente a necessidade de estar atento às coisas que nos afetam, quando tudo está indo bem. A vida torna-se uma espécie de piloto automático que vai nos levando, até que...a doença ou a infelicidade sobrevém e nos sentimos esmagados, mergulhados em um mar indiferenciado de acontecimentos e emoções.

Há que se deixar de lado o orgulho e a vaidade e reconhecer que somos frágeis e precisamos de ajuda. Precisamos de médicos sim, mas, com certeza, precisamos de alguém que nos mostre o caminho de volta para a nossa essência – o caminho do Autoconhecimento. Cuidar de si mesmo é o primeiro de todos os cuidados. Só nós mesmos seremos os nossos verdadeiros curadores, porém dificilmente conseguiremos fazer essa caminhada sozinhos. Necessitamos da intervenção ou ajuda de um profissional na área.
O papel do psicoterapeuta, em direção à recuperação da saúde, é ajudar os doentes a fortalecer as suas convicções de que o tratamento é eficiente e que as defesas do seu corpo são poderosíssimas. Em seguida, deverá colaborar para que o doente aprenda a lidar, de maneira mais eficiente, com o estresse na vida cotidiana, sem se deixar contaminar pelo negativismo. E para que as pessoas passem a acreditar que podem resolver os problemas que surjam, para que acreditem que podem lidar com eles de forma tal que não se deixem dominar ou se sentir vencidos, é muito importante que haja uma mudança, seja na percepção que elas têm de si mesmas, seja na percepção dos próprios problemas que têm que ser vistos sob outra ótica.

2. Esperança e Vontade de Viver
O resultado das crenças dos pacientes em relação às suas possibilidades de recuperação, adicionado a uma "redecisão" quanto aos problemas que enfrentam, é uma abordagem de vida que inclui a Esperança e a Vontade de Viver. A Esperança provém da Fé. Refiro-me à Fé no sentido amplo, ou seja, a certeza de que há uma “Força Maior” que nos guia e não nos abandona jamais, pois a nossa essência, a nossa alma, é parte Dela e Ela está em nós. Todos somos seres divinos, somos fagulhas ou centelhas do mesmo “Fogo Sagrado” ou da mesma “Luz Criadora”.
Quero dizer também que é preciso ter Fé em si próprio, acreditar que se é capaz de realizar as transformações necessárias nas suas emoções, na sua mente e no seu espírito. É preciso deixar de se sentir vítima e tomar as rédeas de sua própria vida, melhorando, dessa forma, a sua auto-estima. É necessário, também, readquirir a Fé na humanidade, desenvolvendo a compaixão e o Amor Incondicional, pois aquele que fica fechado em si mesmo perde a visão do Todo. É imprescindível voltar a sentir Vontade de Viver. O re-equilíbrio vem de dentro para fora, ou seja, da alma para a mente, da mente para as emoções, das emoções para o físico. Só assim se alcança a saúde no corpo.

3. Sistema Límbico
Os sentimentos alterados de Esperança e de Vontade de Viver ficam registrados no sistema límbico, da mesma maneira como antes estavam os antigos sentimentos de desesperança e de desespero. Haverá uma mudança significativa nessa parte do cérebro.

4. Atividade Hipotalâmica
Uma vez que esses novos sentimentos estejam registrados no sistema límbico, as mensagens são enviadas ao hipotálamo, refletindo o sistema emocional alterado - um novo estado que inclui uma Vontade maior de Viver. O hipotálamo envia à glândula pituitária as mensagens que refletem esse novo estado emocional.

5. Sistema Imunológico
O hipotálamo, por sua vez, inverte a supressão do sistema imunológico, para que as defesas do corpo sejam, mais uma vez, mobilizadas contra as células anormais (enlouquecidas pelo estresse e por emoções negativas).

6. Atividade da Pituitária
A glândula pituitária, ao receber as mensagens do hipotálamo, as envia para o resto do sistema endócrino.

7. Sistema Endócrino
Trata de restabelecer o equilíbrio hormonal.

8. Redução das Células Anormais
Com o equilíbrio hormonal restabelecido, o corpo pára de produzir grandes quantidades de células anormais, deixando um número menor para que o tratamento, ou as defesas recuperadas do corpo, se encarregue delas.

9. Regressão dos Sintomas
O funcionamento normal do sistema imunológico e a diminuição da produção das células anormais criam condições propícias para que a doença regrida. As células anormais que restam podem ser destruídas pelo tratamento ou pelas defesas naturais do corpo.
Pela minha experiência, as pessoas que participaram de sua própria recuperação adquiriram forças de que não dispunham antes da doença. A partir do processo de ter que enfrentar uma doença terrível, fazer face a problemas existenciais importantes e aprender mais sobre o seu poder de recuperar a própria saúde, as pessoas recuperam não somente a saúde, mas também um senso de força e controle das suas vidas, que nunca perceberam antes de ser diagnosticada a doença.

- Parte 2

Bernie S. Siegel, em Amor, Medicina e Milagres, trata da sobrevivência a moléstias graves propondo dois grandes recursos para alterar o estado físico: emoções e imaginação. Representam as duas formas de fazer a mente e o corpo entrarem em comunicação mútua. As emoções e as palavras dão a saber ao corpo aquilo que dele esperamos e, imaginando certas mudanças, contribuímos para que o organismo as produza. O que está em nossa mente está, literal ou "anatomicamente", em nosso corpo. A ligação é feita pelas moléculas de peptídeos, fabricadas pelo cérebro, e pelo sistema imunológico.
Portanto, temos condições de mudar nossos processos corporais mudando nosso estado de espírito. Quando experienciamos estados alterados de consciência conquistados através de meditação, hipnose, visualização criativa, psicoterapia, psicanálise transpessoal ou regressão de memória, por exemplo, abrimo-nos para a possibilidade de transformação e cura.
Muitos estudos mostram que o relaxamento e técnicas afins podem ser úteis no combate aos efeitos negativos do estresse prolongado sobre os componentes do sistema imunológico.
Um sistema imunológico desregulado pode afetar tudo, desde sua suscetibilidade a resfriados até sua função natural de eliminar células cancerosas ou vírus da AIDS, e também pode ser um fator da asma, das alergias, do diabetes, da esclerose múltipla, da artrite reumatóide, do lupus e de outros distúrbios imunológicos onde o corpo ataca a si mesmo.

E, com as palavras abaixo, o Dr. Bernie S. Siegel justifica muito bem o título que deu ao livro, pois para ele o verdadeiro amor realiza milagres:-

“Se eu conseguir ensinar uma pessoa a ficar de bem com a vida, a sentir amor por si mesma e pelos outros, a alcançar a paz de espírito, é possível que se verifiquem as necessárias mudanças. Meu carinho e meus abraços talvez pareçam uma tolice, na enfermaria, mas eles têm base científica. O problema reside em que nós ainda não conhecemos as técnicas necessárias para desencadear, com rapidez e eficiência, o processo de cura em todos os doentes. Por isso, muitas mudanças se dão no nível do inconsciente, e é difícil avaliá-las clinicamente, sem cuidadosos testes psicológicos. Espero pelo momento em que possamos receitar algo como um abraço de três em três horas, em vez de um remédio ou de um impulso elétrico”. (Amor, Medicina e Milagres-pg.93).

Finalizando, a orientação que devo dar a todos que possuem uma doença auto-imune é:
1) ter um acompanhamento médico;
2) fazer psicoterapia para descobrir a causa inconsciente (e sempre tem, pode ter certeza);
3) ter esperança e vontade de viver;
4) manter a fé em si mesmo, nos outros e, sobretudo, no Ser Supremo (nunca mais se sentirá só);
5) buscar a complementação da ajuda em algum setor da terapia holística, assim como: - a prática de relaxamento, meditação, yoga, tai-chi-chuan, chi-kung, massagens relaxantes, aromaterapia, cromoterapia, reiki, acupuntura, shyatsu, cinesiologia, auriculoterapia, etc;
6) se for possível encontrar algum especialista em “constelação familiar”, procure urgente. É uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica, criada por Bert Hellinger, que está proporcionando a realização de verdadeiros “milagres” na libertação dos emaranhados nós que residem no inconsciente. Já estou utilizando essa técnica com os meus clientes e, simplesmente, estou maravilhada. Se quiser saber sobre o assunto, leia o artigo "Constelações Familiares" de minha própria autoria, o qual se encontra neste mesmo site.